sábado, 25 de julho de 2009

Entusiasta da própria competência.

Henrique Bernardes, nomeado por indicação de Sarney a um cargo no Senado por ser namorado de sua neta, disse que não tem do que se envergonhar, vez que considera-se competente para a função que desempenha, cumprindo seus compromissos junto à casa, sendo um privilégio para o Senado ter um funcionário como ele. Isso eu li n"O Globo".

Como toda e qualquer função, a exercida por Henrique é importante: responsável por atender telefone, recepcionar pessoas e emitir recibos. Secretária é a profissão de minha amiga Sônia, de Viçosa, que não é formada em física pela UNB, nem tem pós-graduação em contabilidade e economia (aliás, só tem o ensino médio), mas faz muitíssimo bem e com extremo desvelo esse serviço, prestado há cerca de 10 anos no mais confiável escritório de advocacia que conheço, ganhado com isso quinhentos e poucos reais mês.

Ora, o rapaz não foi contratado por ser competente, mas sim por uma indicação do conquistador do Amapá. O menino se esquece que a Constituição Federal prevê princípios como moralidade e impessoalidade, além de acesso aos cargos públicos via concurso, salvo algumas justificáveis exceções.

Ainda, contudo, que seja o namorado ou ex-namorado da neta de Sarney realmente competente como insinua ser, a competência não é tudo para validar a ocupação de um cargo público: há trâmites legais a serem observados para que os princípios da administração pública (inclusive o da publicidade) sejam atendidos, valendo frisar que competência é obrigação de todo e qualquer pessoa que se disponha a realizar uma função, quer na iniciativa privada, quer no setor público, não sendo motivos para jactâncias e justificativas para nomeações nepostistas, por atos administrativos secretos e/ou imorais.

Mas vamos na pilha: Em que seria competente o Henrique? a) em física? b) em contabilidade ou economia? c) como namorado de neta de senador? d) Como secretária?
Não é pesquisador do CNPQ em dá aulas em faculdades de física. Não exerce qualquer função ligada a formação de pós-graduado. Segundo li nos jornais não é mais namorado, mas ex. Como secretária (com salário de R$2.700,oo) foi elogiado pelo seu chefe.

Um comentário:

  1. E o pior é que nem as funções costumeiramentes atribuídas às secretárias por políticos de altos e baixos escalões e mínimos pudores o rapaz pode exercer - ou talvez só mesmo estas...!

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